Os avanços em automação, digitalização e inteligência artificial estão transformando o mercado de trabalho em escala global. Essas transformações não implicam necessariamente eliminação de empregos, mas mudanças profundas nas tarefas, ocupações e exigências de qualificação, com efeitos que variam conforme o contexto institucional e as políticas adotadas. Em países de renda média, como o Brasil, os riscos associados a esse processo tendem a ser mais elevados. É o que mostra o estudo “Evidências sobre Políticas de Mercado de Trabalho e Implicações para o Brasil: Futuro do Trabalho”, publicado pela JOI Brasil – iniciativa do J-PAL LAC – em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Segundo o estudo, mais de 50% dos empregos no Brasil apresentam alto risco de automação ou transformação significativa entre 10 e 20 anos, percentual superior ao observado em economias como Estados Unidos e países europeus. A pesquisa indica que a América Latina e o Caribe concentram alguns dos maiores riscos globais de automação, especialmente em ocupações de baixa e média qualificação.
O estudo também destaca o crescimento da economia de plataformas. No Brasil, 2,1 milhões de pessoas já trabalham por meio de aplicativos, o equivalente a 2,4% da população ocupada (IBGE,2023). Para comparação, pesquisas citadas no estudo indicam que cerca de 10% dos trabalhadores nos Estados Unidos atuavam em arranjos não tradicionais. Apesar da flexibilidade, esses vínculos costumam estar associados à instabilidade de renda e à ausência de proteção social.
Fonte: Assessoria de Imprensa – 02/02/2026
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