Durante muito tempo, a inteligência artificial passou a ocupar um lugar desconfortável nas discussões sobre recrutamento. Para muitos profissionais, ela virou sinônimo de currículos descartados automaticamente, processos frios e candidatos invisíveis diante de algoritmos.
Mas, à medida que as ferramentas evoluem, especialistas defendem que a tecnologia pode estar caminhando justamente na direção oposta, tornando processos mais acessíveis, inteligentes e até mais justos. Embora, valha ressaltar, ainda existam gaps que precisam ser corrigidos.
O debate ganha força em um momento em que o uso de IA no RH acelera rapidamente. Relatórios recentes do LinkedIn e da McKinsey & Company mostram que empresas têm ampliado investimentos em automação de recrutamento, análise de competências e matching inteligente de perfis. Na mesma proporção, cresce a preocupação dos candidatos sobre como esses sistemas impactam suas chances reais de contratação.
Para Jose Paulo Abi Jaudi, CEO da UPBI, o maior erro é tratar a inteligência artificial como uma “inimiga” que simplesmente elimina profissionais. Segundo ele, o problema não está necessariamente na tecnologia, mas na forma como ela é utilizada.
“A diferença é que a IA bem implementada processa volumes que nenhum humano conseguiria ler com atenção, faz leitura semântica do currículo e reconhece equivalência de experiências entre setores”, explica.
O CEO da Tag Contabilidade esclarece que o silêncio após a candidatura continua sendo uma das maiores reclamações dos profissionais. Um fator que contribui para que candidatos tenham desconfiança em relação a todo o processo, seja ele conduzido por uma pessoa ou por um robô.
“A melhor experiência ocorre quando a tecnologia organiza o processo sem comprometer o respeito ao candidato”, pontua.
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