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O caráter hospitalocêntrico da assistência à saúde no país

O primeiro hospital do Brasil, a Santa Casa de Santos, foi inaugurado em 154 por obra do fidalgo português Braz Cubas. Nesses 473 anos, os hospitais brasileiros escreveram uma história de superação e, sem dúvida, contribuíram para o desenvolvimento tanto da assistência à saúde do brasileiro como da medicina científica.

 

Ao celebrarmos nesta quinta (14/7) o Dia Mundial do Hospital, é oportuno analisarmos as dificuldades enfrentadas pelo setor. Ao sistema hospitalar vem sendo atribuída uma responsabilidade que, verdadeiramente, não é dele. O caráter hospitalocêntrico da assistência à saúde no país não poderia ser diferente, visto que, além de muito arraigado ao imaginário da população, nos hospitais os pacientes recebem um atendimento muito mais resolutivo, principalmente se comparados às unidades básicas de saúde.

 

Por falta de alternativa, criou-se uma cultura da hospitalização, da desinformação e do uso incorreto e indevido dos serviços. Quando procura um hospital, mesmo que enfrente filas e dificuldades de acesso, o paciente recebe o que precisa: consulta, exame, diagnóstico, procedimento, atestado médico e, se necessário, internação.

 

Nas unidades básicas, faltam especialistas, a espera por exames dura meses e o cuidado é fragmentado. É exatamente essa lacuna que gera a incongruência de nosso modelo atual de saúde .Hospitais são equipamentos caros, que utilizam insumos precificados internacionalmente. A incorporação de novas tecnologias também acarreta mais gastos, nem sempre de maneira adequada, já que é feita, muitas vezes, sem avaliação de eficácia, por pressão dos pacientes e dos profissionais.

 

O envelhecimento acelerado da população é outro complicador. Estima-se um aumento de 30% no total de internações hospitalares até 2030, causado especificamente pelo envelhecimento populacional. Utilizamos uma estrutura complexa e cara para tratamentos que não necessitam dela. Isso será sempre um erro. Mais ainda para nós, que sofremos a falta crônica de recursos. Precisamos de uma nova visão -entender a saúde como um bem a não ser perdido e ter a qualidade de vida como projeto coletivo, incluindo educação, alimentação, habitação, transporte público, segurança e, sobretudo, prevenção.

 

Neste último, destaque absoluto para uma equipe multidisciplinar que seja profunda conhecedora das necessidades da população. Uma atuação nesse sentido reduziria o custo global da assistência à saúde, diminuindo o número de procedimentos onerosos, internações desnecessárias e tratamentos de indicação duvidosa. Garantiria, dessa forma, mais qualidade no atendimento.

 

Seguindo esse receituário, podemos sim melhorar a performance no setor, deixando para os hospitais a sua missão essencial: acolher, tratar e restabelecer a saúde de quem realmente precisa.

Esse modelo nos possibilitaria construir um sistema nacional único, com todos os elos da cadeia trabalhando a favor do atendimento de qualidade prestado ao cidadão, seja ele usuário do SUS ou da saúde suplementar.

 

YUSSIF ALI MERE JR., médico nefrologista, é presidente da Federação de Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo

Fone: debates@grupofolha.co

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Dr. Edison Ferreira da Silva

  • Direito – Universidade Braz Cubas – UBC
  • Administração – Faculdade de Administração Alvares Penteado – FAAP
  • Administração Hospitalar e Gestão de Saúde – Fundação Getúlio Vargas – FGV
  • Saúde Ambiental e Gestão de Resíduos de Saúde – Universidade Federal de Santa Catarina UFSC e Fundação Getúlio Vargas – FGV
  • Gestão e Tecnologias Ambientais – POLI/USP

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